repete roupa!

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

semana 42 - sobre não gastar dinheiro e aprender a ter o suficiente


a primeira vez que eu ouvi falar sobre diminuir o consumo radicalmente foi quando descobri a great american apparel diet - uma iniciativa de uma galera de ficar 1 ano sem comprar roupas. quando eu descobri o blog, muitos já tinham terminado o ano da proibição, alguns tinham abandonado a ideia, alguns continuavam depois de dois ou três anos... o que mais gostei foi ler de uma das mulheres que tinha terminado o ano sem comprar nada que quando ela finalmente pôde sair pra comprar roupa, nada do que ela viu nas lojas a atraiu. ela não sentiu que precisava ou queria nada daquilo. e eu pensei UAU imagina não querer comprar roupa.

tentei começar imediatamente. UM ANO SEM COMPRAR ROUPA. durou uma semana. tentei de novo com menos ambição 3 MESES SEM COMPRAR ROUPA durou 3 dias. então mudei o foco: não comprar mais roupas feitas em países cujas condições de trabalho eram provavelmente precárias. isso rolou por um tempo, até porque a renner tem bastante coisa made in brazil, mas uma hora não me satisfez mais. voltei pra dinâmica de comprar qualquer coisa que aparecesse na minha frente.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

semana 41 - ESPECIAL ROUPAS DE SEGUNDA MÃO


tivemos exatamente duas semanas especiais esse ano: a semana 10, que foi uma homenagem ao filme rocky horror picture show, e a semana 26, em que me vesti inspirada na leandra medine. pra semana 41, aproveitando que falta tão pouco pra chegar ao fim do meu desafio, topei um convite da Inhame na Moda: usar apenas roupas de segunda mão por uma semana.
 

então me muni da minha seleção de roupas de brechó e herdadas e mandei bala! essa semana, portanto, não repeti roupa, mas me vesti somente com maravilhosidades que foram amadas antes de chegar nas minhas mãos. foi incrível? com certeza. estou doida pra tentar uma semana dessas novamente no inverno - e quem sabe mais uma vez no verão, porque ainda tenho muita roupa de segunda mão pra aparecer por aqui!
 

você é daquelas que duvida que dá pra se vestir com roupa de brechó sem parecer uma vovózinha antiquada? cola na minha e vamos aos visus pra eu te mostrar que tem muita modernidádji em roupa velha!

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

semana 41 - por favor parem de falar pra eu amar meu corpo (e outras ideias sobre fazer 30 anos)



umas semanas atrás tivemos, na casa dos meus pais, um evento só com as mulheres da família. foi uma semana antes do meu aniversário de 30 anos, e eu pedi encarecidamente para que as sábias e vividas molieres da minha família me dessem os conselhos que elas gostariam de ter ouvido ao fazer 30 anos.

ouvi os seguintes depoimentos sobre chegar aos 30 anos:

da minha irmã (que tá com 25 mas decidiu que podia me aconselhar sobre os 30) - o legal de ir envelhecendo é que você deixa de focar tanto na opinião dos outros e passa a ser a sua própria pessoa. não quero sair no sábado à noite? não vou sair no sábado à noite. quero me vestir do meu jeito? vou lá e me visto. na adolescência a gente tá tão preocupado com o que nosso grupo vai achar, né?

da minha vó (que se recusa a ser chamada de vó e literalmente inventou um apelido pra que os netos pudessem se referir a ela carinhosamente mas sem usar a palavra vó) - o tempo passa muito rápido! a gente precisa fazer tudo de bom e agradável: coma do melhor, passeie, viaje, transe muito (risos essa parte é interpretação minha), se esforce para fazer tudo que te traga bem e te faça sentir bem.

de uma das tias - a gente se apressa tanto até os 30, né? uma pressa pra fazer faculdade arranjar emprego casar ter filho ter casa...... mas pra quê? dos 30 em diante quanto tempo de vida você vai ter? então não tenha pressa, faça tudo a seu tempo, não se deixe levar por padrões apressados da sociedade. não vale a pena ter pressa pra se resolver, há bastante tempo pra gente se achar, se entender e conquistar o que quisermos conquistar. viva seu tempo, não tenha pressa pra nada.

de outra tia - nossa visão de mundo e as coisas que queremos mudam muito do início dos 20 para depois dos 30. tudo que a gente achava que tinha que resolver logo, depois que amadurecemos, não pesa mais tanto na nossa vida. partes não-resolvidas da nossa juventude passam a não importar tanto e nós aprendemos a querer e a valorizar coisas diferentes em casa fase da vida. não encane com suas coisas não resolvidas, porque elas podem nem fazer mais tanta diferença em alguns anos!

de ainda mais uma tia - cultive a bondade genuína. ser bom é um exercício constante e é tão importante aprender a ser bom - independentemente do que esperamos receber de volta.

mas o melhor conselho, sem sombra de dúvida, foi o seguinte:

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

semana 40 - uma calça boyfriend (literalmente) em 7 versões


bom então tô nessa de usar as roupas que por algum motivo eu ainda não usei esse ano. a maioria delas não foi usada porque ganhei recentemente, o que significa que elas ainda tem um belo período de um ano pra serem usadas antes de serem doadas, mas, né, pra que deixar pro ano que vem o que dá pra fazer nos últimos meses desse ano?

então dessa vez escolhi essa calça, que ganhei do namo recentemente (amor eterno amor verdadeiro: ganhar roupas velhas do namo) e ainda não tinha usado porque, não sei se vocês repararam, eu meio que não uso muita calça. mas às vezes, gente, é tão bom usar calça. sabe por quê? por algum motivo inexplicável de calça parece que a gente se esforçou menos pra se vestir, né? parece que a escolha foi mais natural e menos pensada. o que é absurdo, porque a escolha mais natural de vestimenta é, claramente, um vestido: uma peça, você veste e sai. mas a impressão do vestido é mais arrumadinha que a da calça (mesmo que pra montar o visu com calça a gente tenha demorado 40 minutos), e eu gosto de passar essa impressão às vezes: de que eu sou de boa, que eu me visto sem pensar também. o que é uma mentira, mas é a mensagem que a roupa passa.


sobre a calça: molieres do meu brasil, parem agora de comprar calças femininas e passem a buscar calças masculinas. sério. esse treco é MUITO confortável. ela tem a cintura baixa e o cós beeeeeemmmmm comprido, então dá pra puxar pra cima, por um cinto e usar como cintura alta. ou dá pra ser totalmente chillax e usar a calça baixa mesmo, com a vantagem de que na hora de sentar seu cofrinho não vai aparecer por motivos de cós comprido que permite que você puxe a calça pra cima ao sentar. a calça tem bolsos, gente, bolsos compridos onde dá pra guardar coisas. sabe o que isso significa? que dá pra sair sem bolsa! (alô alô fabricantes de calças femininas: a gente gosta de bolso também, tá? a gente tem que carregar coisa também, tá? a gente não quer ter que levar bolsa necessariamente pra qualquer rolê, tá? dicona).


enfim.

amei usar a calça essa semana, gostei bastante dos visus que montei, então vamos a eles!

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

semana 39 - uma saia envelope que virou vestido que virou blusa em 6 visus criativos


gente????? hoje estou postando a semana 39 o que significa que hoje começou a semana 40 o que significa que em mais 12 semanas acaba o ano E o meu desafio????? chocada com a velocidade em que o tempo passa, chocada por estar chegando ao final, chocada por ter conseguido, chocada CHOCADA!

nessa reta final estou me esforçando pra repetir peças que por algum motivo eu não havia usado ainda. ao longo do ano me desfiz de muita coisa, inclusive peças de roupa que repeti e que apareceram aqui no blog, e ganhei outras coisas de amigas e familiares. também recuperei algumas peças da minha mala de desapegos. são essas as roupas que tô tentando usar e repetir agora: as que entraram no meu armário depois do desafio ter começado. todas as minhas roupas tem um prazo de um ano pra serem usadas, ou são doadas, então as que vieram pro meu armário mais recentemente ainda tem um tempo para serem avaliadas. mas eu sou dessas que gosta de fazer tudo logo, e não curto ter roupa parada no armário.


a saia dessa semana é uma dessas. comprei num brechó perto do sesc belenzinho uns 3 anos atrás e me apaixonei pela cor, pela estampa que de longe parece um céu estrelado, pelo comprimento e por ser uma saia envelope. usei bastante, mas no começo do ano quando tomei a decisão de começar esse blog, decidi que essa saia seria guardada com minhas "roupas de praia". por quê?, você se perguntam. sei lá, gente. porque eu senti que ainda tinha roupa demais mas não queria necessariamente me livrar dela, então atribuí a função férias a ela.  mas eu odeio isso, ter roupas que só servem pra um tipo de ocasião, então uns meses atrás a recuperei da gaveta de biquini e decidi que ela merecia, sim, fazer parte do meu guarda roupa oficial.


e cá está ela! essa semana descobri que uma saia envelope é tão versátil quanto uma echarpe: com as amarrações certas, ela pode virar praticamente qualquer coisa. então vamos aos visus pra gente apreciar toda essa versatilidade!

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

semana 39 - mas você gosta de moda e é feminista?

cena da série "american crime story", em que marcia clark, advogada extremamente hábil e competente, é exposta e ridicularizada em tablóides por seu corte de cabelo (e isso aconteceu de verdade)


moda é uma forma de expressão magnífica. há muitos que discordem, mas eu acredito que moda é uma linguagem, que nossas roupas comunicam coisas, e que, assim como outros tipos de linguagem, um mesmo significante tem significados diferentes que são atrelados a cultura local, história, dinâmicas sociais....

uma minissaia no rio de janeiro é lida de maneira diferente do que uma minissaia na palestina. o significado que damos culturalmente a peças de roupa muda com o tempo, assim como todo tipo de comunicação muda conforme mudam dinâmicas sociais. usar batom vermelho já foi associado a prostitutas, depois a artistas e boêmias, e agora é meio que um padrão da moça que lê blog de moda e beleza. salto alto já foi sinônimo completo de feminilidade e elegância, e hoje, pelo que eu observo, foi substituído por sapatos confortáveis que nos transmitem a mensagem de que conforto também é elegante e feminino. eu posso usar uma calça rasgada com tênis e camiseta de banda, ou posso usar uma calça rasgada com salto fino, bolsa chanel e camisa, e a mensagem da calça rasgada vai ser diferente nos dois casos. e, nos dois casos, a mensagem continua mudando se eu estiver usando essas roupas no centro de são paulo, ou no interior de minas, ou em marrocos - do mesmo jeito que um joia com o dedão é algo positivo onde eu vivo e pode ser algo negativo em outras comunidades. fato é que tanto o joia quanto a calça jeans rasgada tão comunicando alguma coisa, e mensagem pode ser recebida de maneiras diferentes que dependem do repertório cultural, social e histórico de quem recebe a mensagem.

a questão com moda é que é uma das poucas (senão a única) formas de expressão em que as mulheres tem mais liberdade que os homens. isso não é porque moda é, essencialmente, feminista. isso acontece porque vivemos em uma sociedade em que a mulher tem, principalmente, valor ornamental. nós temos mais ferramentas de moda e beleza porque nosso papel social é nos fazermos bonitas, bem vestidas, elegantes, o que for. nós somos mais valorizadas por nossa aparência do que por nossos feitos.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

semana 38 - uma camiseta pintada à mão, 5 visus apropriados pro calor


foi assim: um dia cheguei na escola e uma aluna, ao invés do uniforme, tava usando essa camiseta de et. eu apenas: PIREI???? quem me conhece sabe que eu sou meio fissurada por tudo que envolve vida alienígena - um interesse que começou na infância, numa tentativa de ter algo em comum com meu pai, e continua até hoje após um pequeno (mentira, gigantesco) vício em arquivo x, autores clássicos de ficção científica e filmes de encontros da humanidade com seres extraterrestres.

bom, não hesitei: pedi por favor pra minha aluna me emprestar a camiseta, e ao ter meu pedido atendido descobri coisas legais sobre ela: o et foi pintado à mão por algum aluno que, na época, estava no 3º ano do médio. junto com outras camisetas pintadas à mão, ela foi vendida pros próprios alunos do colégio pra financiar a formatura do terceirão (quem aí tem lembranças dessa fase tenebrosa da vida? eu pedi pras minhas memórias dessa época serem cirurgicamente removidas, apenas). minha aluna comprou, o que é muito legal pois: incentiva a produção artística da comunidade local (a escola, no caso), evita comprar roupa de fast fashion (pelo que percebo as lojas tão tudo cheia de roupa com et, ovni, planetinha, etc), colabora com o financiamento de uma viagem que, de outra maneira, teria que ser paga pelos pais dos alunos. isso, claro, ajuda os adolescentes a entender que as coisas não aparecem na nossa vida do nada: até uma viagem puramente de lazer tem trabalho por trás, dedicação pra escolher em conjunto com 30 pessoas o destino da viagem, dedicação pra entender quanto de grana é preciso pra fazer a ideia acontecer, dedicação pra decidir como juntar a grana - isso envolve entender habilidades e talentos pessoais e monetizá-los, coisa que, ó, eu só tô começando a tentar fazer agora com quase 30 anos -, e empreendedorismo pra realmente ir lá, botar a mão na massa e fazer. uma camiseta, tanta coisa legal por trás.


e, ao pedir que minha aluna me emprestasse a camiseta pra eu usar por uma semana, outras questões tão sendo colocadas e aprendidas. eu podia ter achado a camiseta incrível e procurado alguma similar pra comprar. eu podia ter feito minha própria versão, o que seria, claro, demais, mas envolveria gastos que eu não quero ter: comprar uma camiseta, tintas pra tecido, etc. eu podia pegar uma camiseta velha do meu pai, os restos de tinta de tecido da minha irmã, e fazer uma do zero sem gastos, mas isso significaria mais um peça de roupa no meu armário, ou seja, um acúmulo de algo que eu, realmente, não tô precisando. ao pegar a camiseta emprestada, eu tô provando pra mim mesma que dá pra curtir uma roupa sem querer, necessariamente, possuí-la. porque, honestamente, eu não quero! e isso não é lindo? chegar num momento de compreensão da minha relação com roupas em que eu posso amar de paixão uma camiseta, usá-la por uma semana com muita felicidade, e ainda assim, no fim da experiência, não querer comprar uma. não querer TER uma. porque ela me acompanhou durante a semana, me fez feliz, mas não é uma felicidade que eu sinto que preciso ter pra sempre.

e nesse espírito de auto-compreensão, vamos aos visus!