repete roupa!: semana 15 - sobre minimalismo: o que dizem por aí e o que tem sido pra mim

sexta-feira

semana 15 - sobre minimalismo: o que dizem por aí e o que tem sido pra mim


quando comecei esse blog estava mergulhada nos relatos da cait flanders sobre seus dois anos sem comprar absolutamente nada. achei e li muitos outros blogs e histórias parecidas, mas esse blog em específico me pegou de jeito. não sei dizer por quê, mas o jeito que ela contava sobre a experiência dela, seus sentimentos em relação às coisas que ela comprava e em relação a tudo que ela parou de adquirir durante dois anos, seus pequenos sacrifícios com os quais eu não concordava totalmente, mas que faziam sentido pra ela naquele momento.... todo um conjunto de características que me atraiu, me interessou e finalmente me fez começar a pensar de verdade sobre o jeito que eu vivia, meu consumo, minhas coisas.

o blog da cait flanders nasceu com o nome "blond on a budget" (algo como "loira com orçamento apertado"), e a proposta era mostrar aos leitores seu passo a passo, num momento de dificuldades financeiras, para economizar dinheiro, comprar menos, pagar suas dívidas e viver bem. daí pra abraçar o estilo de vida minimalista foi um passinho, e o que eu gosto nela é a maneira como ela sempre deixa claro que o viver minimalista não tem regras, não tem uma estética específica, é extremamente adaptável a diferentes estilos de vida e a pessoas com diferentes prioridades.





porque vou falar sério pra vocês agora: se tem uma coisa que eu odeio, é cagação de regra. (em relação a tudo. acredito que cada um faz o que quer da maneira que quer e ninguém tem que ter opinião. posso falar mais sobre isso um dia, mas pequenos exemplos: ninguém tem que ter opinião sobre cigarro: ou você fuma ou você não fuma e deixa os outros fazerem o que quiserem. aborto: quem quer e precisa devia poder fazer, quem não concorda não é obrigado, não há necessidade de discussão sobre o assunto. casamento gay idem. usar maquiagem idem. comer carne idem. usar droga idem. não comer glúten idem. assistir big brother idem. não comprar mais roupa idem. seguir religião idem. etc etc etc)

e o que mais me atraiu nessa coisa do minimalismo foi a quantidade de experiências diferentes que encontrei por aí, as diversas maneiras de abraçar o rolê, e, claro, os benefícios que todo mundo dizia sentir independentemente de quão radical a mudança na rotina havia sido. me lembrei que lá por 2013 tinha lido pela primeira vez sobre minimalismo no blog mnmlist, mais especificamente nesse post em que ele listava as coisas que ele não possuía que a maioria das outras pessoas tem.

demorei alguns anos pra entender a importância do que ele tava dizendo: não é sobre não ter o maior número de coisas possíveis, é sobre observar nosso próprio estilo de vida, entender nossas necessidades, compará-las com o espaço e o impacto que estamos ocupando no mundo e: editar até esse espaço e esse impacto serem coerentes com nossas necessidades.

às vezes acontece como a cait flanders, num momento de dificuldade financeira que não nos deixa opção mas cortar gastos e fazer dinheiro vendendo nossas coisas. esse texto do mark manson é muito legal, em que ele conta sobre como se desfez de tudo que possuía pra conseguir manter seu negócio funcionando e como isso mudou suas percepções sobre nossas relações com coisas. tanto o caso do mark manson quanto a situação da cait flanders podem ser considerados por muitos mudanças radicais, mas os dois falam muito sobre observar a nossa realidade, as nossas necessidades, e mudar de acordo com elas.

a ideia do minimalismo não é que nós todos vivamos em apartamentos de decoração escandinava tudo branco design modernoso contemporâneo clean, cores frias, roupas pretas. a ideia é, como diz a andrea nesse texto, é termos coisas das quais realmente gostamos e para as quais realmente temos uso, e apenas se nós temos dinheiro para adquiri-las, tempo para sua limpeza e manutenção e local para colocá-las. acho, inclusive, que essas três perguntas são ótimas pra se fazer antes de comprar qualquer coisa: eu realmente gosto disso e/ou tenho um uso prático pra isso no meu dia-a-dia? eu tenho tempo para cuidar da limpeza e/ou manutenção disso? eu tenho onde guardá-lo, expô-lo, colocá-lo? o foco não é necessariamente ter menos coisa, mas ter mais espaço: pra mais experiências mais crescimento, mais liberdade, e manter ao nosso redor só o que tem propósito e nos faz bem.


mas o que tem sido minimalismo na minha vida?

por enquanto, tem sido sobre desapegar de tudo que não preciso, que não gosto, que tenho só porque alguém decidiu que "adultos precisam ter". não tenho comprado nada se não há necessidade, e tenho, como esse blog nasceu pra retratar, redefinido minha relação com meu estilo pessoal, minhas roupas e minha auto-imagem. também tem tido a ver com entender o que eu quero e preciso ter versus o que outras pessoas tem e usam. assim, estou pouco a pouco também criando minha listinha mental de coisas que não tenho e outras pessoas costumam ter. curiosamente as minhas não-posses até agora tem a ver com vaidade feminina (maquiagem, esmaltes, cremes de beleza, demaquilante, cosméticos em geral, sutiãs, sapatos desconfortáveis, ir ao salão de beleza, tinturas e químicas de cabelo em geral... não tenho um sofá também, mas isso é por falta de dinheiro, não por escolha. também não tenho livros da marie kondo, e isso é por escolha).

que benefícios eu vi até agora? me sinto mais leve após me livrar de muita coisa, inclusive muitos e muitos livros, recentemente mais algumas roupas, e esses dias algums brinquedos que eu guardava de infância. a leveza tem se refletido em muitas áreas da minha vida: percebi que não preciso ganhar tanto dinheiro pra viver com conforto, então diminuí muito minhas horas de trabalho e tenho mais tempo livre, estou mais descansada, menos estressada e menos preocupada. claro que, se eu for muito honesta, a diminuição nas horas de trabalho foi porque eu fui demitida de uma das escolas onde trabalhava, mas a escolha de manter as poucas horas foi minha. foi graças a essa escolha que eu tenho tempo de escrever e me dedicar a esse blog, que tem sido tão recompensador. além disso, estou muito mais organizada, o que significa que tenho feito o que preciso fazer pras escolas e pras aulas com mais antecedência, mais calma e mais dedicação. o trabalho tem sido melhor, mais fácil e com menos stress, e graças à minha nova habilidade de organização eu tenho mais tempo livre pois faço as coisas antes dos prazos - até mesmo antes dos meus prazos pessoais pra fazê-las.

pra quem já é naturalmente organizado, naturalmente tranquilo, isso pode não parecer muito. mas pergunte a qualquer pessoa que me conhece bem, que conhece minha trajetória, e ela vai te dizer que sim, isso é uma grande mudança. e é isso que conta: que nós consigamos mudar da maneira que a gente precisa, não da maneira que outras pessoas mudaram.

numa tradução livre desse texto do mnmlist: minimalismo não é sobre uma única maneira de viver. é entender o que funciona melhor pra você (e sua família, se você tem uma) e prestar mais atenção no que você possui e faz. não é sobre ficar obcecado pelo que você possui, mas sobre prestar atenção. é sobre encontrar satisfação.

Um comentário:

N disse...

Oi Mel!
Gostei muito do seu texto, da síntese que você fez de como "chegou", conheceu e implementou o Minimalismo. Acho que em poucos parágrafos você conseguiu mostrar o principal do estilo de vida e como ele é "adaptável" e certamente traz benefícios a qualquer pessoa e família, independente - aliás, abraçando suas particularidades.
Como você, meu ponto de partida também foram as roupas (e organização de um modo geral, que sempre fui a doida da organização). Não sei qual é a sua relação com essa questão, mas apesar de eu nunca ter sido muito ligada em moda ou esse tipo de coisa, sempre gostei de me sentir bem, confortável com a minha aparência, caso contrário parecia ficar sempre muito auto-consciente em relação a isso e não conseguia focar em outras coisas mais proveitosas. Não cheguei a encontrar a Cait Flanders pelo caminho (porque se encontro algo que gosto, meio que paro por aí e não busco mais hehe), mas encontrei o projeto 333, um site chamado Into Mind, o Zen Habits e o The Minimalists, estes últimos tendo se tornado a minha maior inspiração (mais uma coisa sobre o minimalismo: tem muita gente bacana falando sobre isso, e sempre tem alguém ou algum projeto que fale de um modo que faça mais sentido pra você).
Enfim, tudo isso pra falar que gostei de ler o que você escreveu e que é sempre muito bom não se sentir sozinha nesse barco da descoberta e implementação - porque não sei como é o seu caso, mas no meu não tenho pessoas próximas que pensem sobre isso, que se interessem por isso, o que às vezes me dá a sensação de dificuldades em compartilhar esse aspecto da minha vida. Então, muito obrigada!
E se em algum momento você sentir o mesmo, saiba que você não está sozinha também! :)
Um grande abraço!
Natália