repete roupa!: semana 34 - tentei virar adulta e falhei, aqui estão as razões

sábado, 26 de agosto de 2017

semana 34 - tentei virar adulta e falhei, aqui estão as razões


sabe aquilo de quando a gente é criança, e meio que percebe que ser adulto é terrível? não sei vocês, mas eu gostava de assistir desenho animado e filmes incríveis e ler livros de aventuras inacreditáveis que me faziam esquecer da existência do mundo real. o que os adultos gostavam de fazer? assistir jornal. e ler jornal. e às vezes até ouvir jornal no rádio. eu achava bem curioso, pra não dizer triste, que com todas as opções de entretenimento, hobbies, atividades e gostos pessoais, os adultos pareciam ter um acordo silencioso de sempre gostar de tudo que parecesse mais chato, mais monótono, com o cheiro mais esquisito e o gosto mais amargo.

eu me perguntava quando acontecia essa mudança, em que momento da vida a chave virava e as pessoas deixavam de ser crianças e gostar de coisas divertidas e passavam a ser adultos e apreciar miséria amargura tristeza e gostos amargos. me parecia absurdo que, sendo adultos e tendo portanto rédeas de suas próprias vidas e podendo fazer o que quisessem, as escolhas adultas eram tão.... erradas. eu sonhava com o dia em que seria adulta e faria tudo diferente com esse super poder que é a maioridade penal. os adultos ao meu redor riam, dizendo que eu ia crescer e entender, mas a verdade é que eu cresci. (eu acho). e meio que nunca entendi.

eu continuo preferindo assistir desenho animado do que qualquer outra coisa. eu ainda prefiro ouvir britney spears no carro a caminho para o trabalho do que o noticiário. e eu aprendi, meio sem querer, que ninguém nunca vira adulto. que não existe um momento em que você passa a apreciar ouvir o noticiário no carro e deixa de gostar de sessão da tarde. não tem um dia mágico em que você passa a dispensar sem nem piscar os doces e chocolates e frituras e coxinhas e a se alimentar de maneira equilibrada e comer todos os seus legumes. nem um dia em que você acorda e passa a lidar com todas as suas obrigações e responsabilidades sem preguiça e com ótima energia. é um esforço contínuo, que nem na infância.

a diferença é que a gente vai crescendo e entendendo - às vezes na marra - algumas escolhas dos adultos. a gente começa a sentir no próprio corpo os efeitos de comer só coxinha, né? pra dar um exemplo fácil de entender. mas se me perguntarem se eu gostaria de ser aquele adulto que eu enxergava ao meu redor quando eu era criança...... ah mas vocês tão muito loucos.

então vos apresento com os 5 motivos pelos quais eu jamais serei uma adulta:


1. eu odeio salada



não sei vocês, mas eu continuo achando que, sem molhos temperos coisas gostosas como granola ou amêndoas ou queijo, salada tem gosto de grama. não que eu tenha comido grama, é só que me parece que a grama é mais molhadinha que papelão então seria uma comparação mais aproximada. sim, já comi papelão. tem gosto de alface desidratado.

2. eu tenho preguiça de tomar banho




vejam bem, não me levem a mal. eu gosto do ato de tomar banho em si, da água limpinha e molhada me purificando, do sabonete me deixando cheirosinha, do frescor que eu sinto depois. mas, gemt, e o cansaço? e a preguiça? e o fato de que depois do banho a gente tem que se enxugar, por uma roupa, etc? e nesse FUCKIN' FRIO que tem feito???? é desesperador, gente, tirar a roupa nesse frio. não sei lidar. eu sei que corpo limpo mente limpa mas, gente, vocês não sentem que tão cansados demais e/ou com frio demais pra isso às vezes? (vocês que tomam banho de manhã, ANTES de ir trabalhar..... pra vocês meus sinceros cumprimentos).

3. eu apenas não consigo lidar com tarefas domésticas


na casa dos meus pais, desde sempre, tudo ocorreu de forma mais ou menos organizada. tem dia pra trocar os lençóis, dia de lavar roupa, dia de limpar o banheiro, etc etc. QUEM DISSE que isso funciona na dimensão paralela das pessoas morando sozinhas? eu simplesmente não consigo me organizar e dar conta, e às vezes fico tão overwhelmed que penso que é melhor passar o resto dos meus dias sem sair pra comprar comida ou água e sem caminhar até a longínqua máquina de lavar roupa do que tirar minha bundinha linda do sofá (que pra se bem honesta não é nada confortável então esse é o nível da minha falta de sabedoria pra lidar com a vida). a pia com a louça, então, parece que está localizada num portal fantástico onde eu consigo vê-la, assim como a louça suja se acumulando nela, mas parece que sempre que tento tocá-la ela desvia das minhas mãos como uma ilusão de ótica.

4. atividades físicas?????????

são boas pro nosso corpo e pra nossa mente, e uma vez que você pega o hábito não fica mais tão chato e cansativo. LIES, ALL LIES. eu continuo detestando fazer exercício, embora veja com cada vez mais clareza os benefícios. mas a real? acabei de comer, tô cansada, tô com fome, tô atrasada, tenho reunião, peguei trânsito, tô gripada, tenho que resolver um negócio, trabalhei muito..... hoje não vai rolar.

5. fazer xixi é extremamente difícil



ah que alívio seria me levantar como uma pessoa normal e madura e ir até o toalete esvaziar minha bexiga, mas vou ficar aqui sentada no meu lugar até a vontade passar OU até eu explodir OU até o xixi petrificar e eu entrar no guinness. o que vier primeiro.


bônus:
eu não vou nem começar a falar de café e essa ilusão coletiva universal de que esse treco é gostoso. vocês estão sendo enganados, queridinhos, igual o neo na matrix.

6 comentários:

Vanessa Lima disse...

Hahahahaha
Eu tinha a impressão que a gente virava adulto quando fazia 18 anos. Mas aos 18 anos eu tinha acabado de entrar na faculdade e morava ainda com meus pais, então tentei ao menos diminuir os gastos deles. Depois achei que ia ser adulta quando me formasse, mas não arrumei emprego e continuei morando com os pais. Fui fazer mestrado, ganhava uma bolsa e tentei não dar trabalho. Aí durante o mestrado consegui outra bolsa para fazer um intercâmbio. O estalo de ser adulta virou quando entrei sozinha num avião para Europa para viver pela primeira vez sem ninguém conhecido por perto e eu tinha que me virar sem depender de ninguém é ter consciência que não era criança. Foi nesse momento que fiz escolhas maduras, resolvi que queria continuar fora, resolvi não casar com o cara que achava ser o homem da minha vida e me chamou para morar com ele na Dinamarca (vamos ser francas, sem trabalho e dinheiro não dava), resolvi assumir a responsabilidade total sobre os meus atos, resolvi até entender um pouco de política local e do Brasil para saber onde nosso mundo vai e não ficar alheia a tudo. Mas vejo desenhos (aqueles de adultos), passo o sábado a noite assistindo Netflix, o fds sem banho se não tiver visita, financio a academia que não frequento, parto corações, desliguei o telefone de casa não ter que ouvir ligações inoportunas, só como salada com molhos e por algum motivo absurdo aprendi a amar café (provavelmente por que todos aqui em Portugal tomam pelo menos 3 por dia). Eu acho seriamente que virei adulta por estar sozinha e saber que ninguém estava por mim. Mas as vezes só queria voltar a ser aquela criança vendo TV e não ter que ir ao mercado na sexta a noite comprar papel higiênico.

Carolina Bueno disse...

Hahahaha dramas da vida real!

Acho que ser adulto é viver entre crises e frustrações por não ser nada do que achávamos que seríamos. Imaginava que aos 23 seria uma adulta com roupa social e pasta de couro que trabalharia na paulista com carro e apartamento próprio (ok, bem criança capricorniana né), e hoje estou aqui

Camis Oliveira disse...

Tirando a parte de tomar banho de manhã que eu sempre achei absurdo e em algum momento passei a não conseguir viver sem isso, me identifiquei com tudo hahahaha.

Fabiana de Souza disse...

Eu achava que, quando virasse adulta, minhas roupas infantis automaticamente sumiriam e iriam aparecer muitas roupas novas de adulto de uma vez... So sad, never happened! E concordo totalmente com os noticiários, não consigo me imaginar assistindo Datena sem querer vomitar.

Beatriz disse...

HAHAHAHA MARAVILHOSO.

Eu ouço notícias no carro e adquiri esse hábito pra ouvir notícias do trânsito quando tinha de migrar de São Bernardo pra USP todo fucking dia.

Eu me sinto exatamente igual a você sobre exercícios físicos, mas devo confessar que descobri o yoga na minha vida e, acredite, eu GOSTO de praticar mesmo no frio congelante. Surprise surprise, descobertas dos 30 anos, quem diria.

Eu não tenho preguiça de tomar banho, mas lavar o cabelo, mano, é uma ópera. Confesso que meu recorde são 7 dias sem lavar, pode me chamar de porca suja, não ligo. Mesmo no sétimo dia recebi elogios pro meu cabelo. Huahuahua...

Chega de confissões.

Beijos. <3

Camille disse...

Cara, vc é hilária! Algumas coisas me identifiquei e outras vi que fui atingida pelo raio adultizador (sim, eu amo café). Tenho mais ou menos a mesma idade e gostaria muito de ter sua coragem de usar o que der na telha. Seus looks são muito criativos, resgatam a criança que ainda existe em mim e isso é maravilhoso. JA costumo quebrar paradigmas no trabalho - sou dentista e o pessoal é muuuito formal/ mauricinho na forma de se vestir. Amo tenis. All star! Confesso que me olham muito torto, mas não ligo. Mas um dia chego no seu nivel de coragem.

Adorei o blog. Seguindo imediatamente!